“Cultura é aquele todo complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, a lei, os costumes e todos os outros hábitos e aptidões adquiridos pelo homem como membro da sociedade”. Edward B. Taylor

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Para nao ter do que se arrepender - Epitafio


Navegando na internet, encontramos uma diversidade infinita de informações, textos, imagens e muito spam. Mas algumas palavras conseguem tocar e fazer refletir. Como é o caso do post abaixo, postado no blog de Bronnie, “Inspiration and Chai”. A profissional da area de saúde  conta sobre sua experiência com pacientes em estado terminal e suas constatações.  Segundo a autora, o texto em breve vai virar livro. Vale a pena ler e refletir:  

Lamentos de Morte / “Regrets of the Dying”
(Traducao livre)

“Por muitos anos eu trabalhei com cuidados paliativos. Meus pacientes eram aqueles que tinham ido para casa para morrer. Alguns momentos incrivelmente especiais foram compartilhados entre nós. Eu estava com eles durante as últimas 3 a 12 semanas de vida.

As pessoas crescem muito quando eles se deparam com sua própria mortalidade. Eu aprendi a nunca subestimar a capacidade de alguém para o crescimento. Algumas mudanças foram fenomenais. Cada um  experimentou uma variedade de emoções, como esperado: negação, medo, raiva, remorso, mais de negação e, finalmente, aceitação. Todos pacientes encontraram a paz antes de partirem; cada um a seu modo.
 
Quando questionados  se havia algum arrependimento ou qualquer coisa que fariam diferente, temas comuns vieram à tona constantemente. Aqui estão os cinco mais comuns:

1. Eu gostaria de ter tido a coragem de viver uma vida fiel a mim mesma, e não a vida que os outros esperavam de mim.

Este foi o lamento mais comum de todos. Quando as pessoas percebem que sua vida está quase a terminar e olham para trás, é fácil ver como muitos sonhos não foram atingidos.  A maioria das pessoas não tinha honrado até metade dos seus sonhos e tiveram que morrer sabendo que isso era devido às escolhas que fizeram, ou que não fizeram durante a vida.

É muito importante tentar honrar pelo menos alguns de nossos sonhos ao longo do caminho. A partir do momento que você perde a sua saúde, é tarde demais. Saúde traz liberdade. (...)

2. Eu gostaria de não trabalhar tanto.

Isso veio de todos os pacientes do sexo masculino que tratei. Eles perderam a juventude de seus filhos e companheirismo da parceira. As mulheres também falaram sobre esse arrependimento. Mas como a maioria eram de uma geração mais velha, muitos dos pacientes do sexo feminino não tinham sido chefes de família. Todos os homens que eu cuidei lamentaram profundamente passar tanto tempo da sua vida extremamente focados no trabalho.

Ao simplificar o seu estilo de vida e fazer escolhas conscientes ao longo do caminho, é possível ver que voce não precisa do rendimento que você achava que era  necessário. E criando mais espaço em sua vida, você se torna mais feliz e mais aberto a novas oportunidades, mais adequado ao seu novo estilo de vida.

3. Eu gostaria de ter tido a coragem de expressar meus sentimentos.

Muitas pessoas suprimem seus sentimentos, a fim de manter a paz com os outros. Como resultado, mantê
m uma existência medíocre e nunca se tornam quem eram realmente capazes de se transformar. Muitas doenças desenvolvidas relativas à amargura e ressentimento, são resultados desse comportamento.

Não podemos controlar as reações dos outros. No entanto, embora as pessoas possam, inicialmente, reagir  diferente quando você mudar a maneira de falar (sendo mais honesto),  no final essa atitude amplia a relação para um outro nível, mais saudável.  Caso contrário, ele libera o relacionamento doentio de sua vida. De qualquer maneira, você ganha.

4. Eu gostaria de ter permanecido em contato com meus amigos.

Os benefícios de possuir amigos, até à proximidade da morte, nem sempre é notado . Muitos haviam se tornado tão focados em suas próprias vidas que tinham deixado de lado amizades de ouro ao longo dos anos. Havia muitos que lamentavamprofundamente de não dar às amizades, o tempo e o esforço que eles mereciam. Todo mundo sente falta de seus amigos quando se esta frágil.

É comum que, qualquer um em um estilo de vida agitado, deixe escapar amizades. Mas quando você se depara com a sua morte se aproximando, os detalhes físicos da vida caem. As pessoas querem obter a sua situação financeira em ordem, se possível. Mas não é dinheiro ou status que mantém a verdadeira importância para eles. Eles querem fazer as coisas de forma mais benéfica para aqueles que amam. Normalmente, porém, eles estão muito doentes e cansados ​​de sempre realizar esta tarefa. É tudo se resume a amor e relacionamentos no final. Isso é tudo o que resta: amor e relacionamentos.

5. Eu gostaria de ter me permitido ser feliz.

Este é um arrependimento surpreendentemente comum. Muitos não perceberam, até ao final, que a felicidade é uma escolha. Eles haviam ficado presos em velhos padrões e hábitos. O chamado "conforto" de familiaridade transbordou em suas emoções, bem como a sua vida física. O medo da mudança fazia com que eles fingissem para os outros e para si mesmos, que eram felizes. Quando lá no fundo, ansiavam a rir de forma exagerada e ver graça na vida novamente.

(...) Como é maravilhoso ser capaz de deixar a vida acontecer e voltar a sorrir, muito antes de você estar morrendo. A vida é uma escolha. É SUA vida. Escolha conscientemente, escolha sabiamente, escolha honestamente. Escolha a felicidade.” Bronnie Ware

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“Lamento de Morte” será um livro completo, com lançamento previsto ainda para esse ano, cheio de histórias pessoais e inspiradoras sobre a experiencia de Bronnie com pessoas em estado terminal.
Para receber mais informações, cadastre-se no mailing : info@inspirationandchai.com

quinta-feira, 12 de maio de 2011

A origem da cachaça e seus codinomes


Diz a lenda que a cachaça surgiu como a maioria das grandes invenções: por acidente.
Na época dos escravos, era comum que os donos de engenho delegassem a produção de melado aos seus servos. Para tal, era preciso colocar o o caldo da cana-de-açúcar em um tacho e levar ao fogo à lenha por varias horas, sem parar de mexer, até  ficar com a consistência cremosa.

No entanto, um dia,  um dos escravos, exausto pelo excesso de trabalho,  parou de mexer e o melado desandou. Para n
ão ser descoberto, escondeu o melado longe dos olhos do seu Senhor.
Passado alguns dias, o escravo encontrou o melado fermentado. Querendo esconder o erro, levou o melado azedo ao forno junto com o melado novo. O melado antigo evaporou (por ser álcool) e formou no teto do engenho goteiras que pingavam constantemente. Adivinhem o nome que as gotinhas ganharam? Pinga.

Toda vez que as gotinhas pingavam em suas costas, machucadas pelo mal trato, torturas e chibatadas, os escravos sentiam dor, e por isso diziam que era uma “água-ardente”.

Com sede, e com as gotas escorrendo pelo seus rostos, os escravos provaram da goteira e viram que depois de diversas gotas, ficavam alegres e tontos.
E sempre que queriam se divertir, tomavam das gotas que pingavam do alto.


(História contada no Museu do Homem do Nordeste)

quinta-feira, 7 de abril de 2011

O poder das midias sociais na democratizacao de um pais – #Obama2012

Seguindo o sucesso da ultima eleição dos Estados Unidos, o presidente Obama resolveu usar das redes sociais como ferramenta para anunciar a sua intenção em se recandidatar as eleições presidenciais de 2012. Pelo facebook e twitter, antes de dar qualquer palavra aos jornais e TVs,  as intencões do candidato foram anunciadas utilizando apenas 20 caracteres e um video. A campanha deixa o mote: “2012, BarackObama.com”.

No facebook, o video ja foi aprovado (via botão “gosto”) por mais de 19 milhões de pessoas de todo o mundo, e no twitter, ja existe a hashtag #Obama2012, para que os simpatizantes não percam nenhuma noticia da futura campanha.

Ate então, a campanha promete ser bem invoadora. A comecar pelo anúncio. Mesmo usando as redes sociais antes das eleições de 2008, nesta época, o anuncio oficial foi feito por Obama diante das cameras de TV.  O slogan, desta vez, será “Começa com a Gente”, ilustrada pelo video, em que o o candidato não aparece, e sim, cidadãos americanos demonstrando seu apoio a continuidade do atual presidente. A mensagem é clara: assim como na ultima eleição, será preciso ajuda da população para que a mensagem seja disseminada e a campanha, localmente, tenha efeito.

Além do facebook e twitter, um email também foi enviado para os eleitores cadastrados no comite de campanha de Obama (em 2008). No email, o mesmo conteúdo, com um texto adicional dizendo que  Barack havia decidido “não fazer publicidade cara e extravagante” nas redes de televisão em sua “campanha final”, mas de apoiar-se em “pessoas dispostas a falar com os vizinhos, colegas de trabalho e amigos” e em “avançar quarteirão a quarteirão”. O mesmo texto foi disponibilizado em seu site.

Pode-se dizer que o momento do anúncio foi bem propício. Os conflitos no mundo arabe ja estão mais controlados, e na semana anterior, o governo Obama havia divulgado mais uma redução na taxa mensal de desemprego, de 8,8% em março. O que nos faz acreditar que ele tem por traz uma competente equipe de marketing, com um planejamento estratégico bem estruturado.

Obama é o único candidato do partido democrata até o momento, mas pelo menos oito possíveis concorrentes ja se preparam para entrar na disputa. Conforme a tradição política norte-americana, o volume de recursos conquistados tende a definir o vencedor das eleições. Sobre a antecedencia dd divulgação da campanha, Obama explica “A gente sempre sabe que as mudancas duradouras nunca vem rapidamente ou facilmente. Isso nunca acontece. Mas o meu governo e a população de todo país, lutam para proteger os progressos que tivemos. E fazer mais. Nos precisamos comecar a mobilização para 2012, muito antes de chegar a hora para eu começar a campanha a sério”. (Tradução livre)



"Estou pedindo a vocês que acreditem. Não apenas am minha habilidade de trazer uma mudança real em Washington... Estou pedindo para que vocês acreditem nas vossas." (Mensagem de abertura do site)



segunda-feira, 4 de abril de 2011

Exemplo de cidade limpa e ecológicamente consciente



Munique, a capital do estado da Bavária, na Alemanha, demonstra ser exemplo de cidade preocupada em ser energéticamente limpa e ecologicamente consciente. Nos últimos 15 anos conseguiu diminuir o volume total de resíduos de 1,2 milhões para 500.000 toneladas. Ousada, a cidade tem como meta prover para toda região domiciliar, 100% de energia renovável ate 2015. O projeto, nomeado como “Energy Saving Municipality”" foi divulgado no blog Cleantechies , especializado energia limpa e technologias a favor do meio ambiente no ultimo mês.

Nao é a toa que Munique está entre as 10 melhores cidades do mundo para se viver. Além dessa, outras iniciativas existem espalhadas pela cidade. Por exemplo, a organização WIP, que é uma das primeiras a planejar, desenvolver e monitorar sistemas e instalações na área de tecnologias de energia renovável e engenharia ambiental. A entidade fornece soluções em diversos campos, incluindo a energia eólica, energia solar fotovoltaica, energia de biomassa, planejamento ambiental e urbano para uso de energia, dessalinização e fornecimento de água. Segundo eles, investir em energias renováveis contribui para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, uma vez que reduz a pobreza, fornece acesso a cuidados de saúde e favorece a educação.

Visionária, Munique ambiciona ser anfitriã dos jogos olimpicos de inverno de 2018, e durante o evento quer mostrar sustentabilidade ambiental, econômica e social, não só apenas na cidade mas toda a Alemanha. Segundo o site oficial da candidatura de Munique, "projectos globais ambientais têm sido desenvolvidos alinhados com as estratégias de sustentabilidade de Munique”. Entre os programas de planejamento, 18 sao os mais emblemáticos, incluindo preocupação climática, a preservação do ambiente natural, o desenvolvimento regional, e programas de esportes e educação sustentáveis.

Além disso, a cidade também prepara anualmente um relatório sobre crescimento do país em energia renovável. De acordo com a versão de 2010, "as energias renováveis estão crescendo em importância". Até o final de 2009, de acordo com o relatório, mais de 300 mil pessoas foram envolvidas em trabalhos no setor das energias renováveis. E a criatividade é valorizada, como no caso da companhia Munich Waste Management Company, que tem utilizado o método de fermentação seca para transformar resíduos de jardim e de cozinha em energia amiga do ambiente. Segundo eles, “Mais de 25.000 toneladas de resíduos são utilizados para criar 3.780 mil horas de quilowatt da eletricidade, que pode alimentar 1.600 famílias por ano”. Outra empresa do mesmo ramo, Munich City Utilities (SWM), prometeu gerar a quantidade adequada de energia verde para satisfazer as necessidades de mais de 800 mil famílias até o ano 2015. "O objetivo é duplo: em primeiro lugar, o fornecimento de electricidade verde a 800 mil casas de Munique até 2015 (que significa aproximadamente 2 bilhões de quilowatts-hora por ano) com suas próprias usinas, e em seguida, toda a cidade em 2025 (7.000 milhões de kWh)”, afirma a empresa. Para alcançar este objetivo, SWM usará todas as fontes possíveis de energia verde: energia eólica, solar, biomassa, geotérmica e hidráulica. Investimento total estimado: 9.000 milhões de Euros, com ajuda local, nacional e europeia.

E não para por aí, uma das maiores feiras de comércio internacional europeu, Insolar Expo, será realizada apresentando tecnologia solar. Os focos principais da feira são as energias limpas convencionais e não convencionais, renováveis e verdes, sistemas de distribuição e conservação, sistemas de gestão de resíduos, etc. Discursos sobre arquitetura solar, fotovoltaica e tecnologia térmica solar sao frequentemente exibidos. A feira é realizada em Munique, anualmente, tendo como visitantes CEOs, engenheiros e consultores, políticos, empreendedores, gerentes técnicos, órgãos reguladores, equipes de investigação e desenvolvimento e gestores de segurança. Muitas exposições incluem informações de monitoramento ambiental.

Pra finalizar, a cidade ainda possui uma fábrica de biogás localizado no jardim zoológico de Munique, turbinas eólicas localizado no setor norte da cidade, e numerosas instalações fotovoltaicas.

Nao é de dar orgulho?

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Por que viajar?

 

Recebi o texto abaixo de Ricardo Freire e achei muito interessante. Talvez seja um dos textos mais plagiados da internet, ou talvez nem seja mesmo do Ricardo Freire, ou quem sabe, já tem várias vírgulas acrescentadas aqui e acolá para diferenciar do original.

O fato é que vale a pena ler e se deliciar:

“Viajamos para fugir de tudo. E para ter saudade de casa. Viajamos para descansar. E para voltar mais cansados do que fomos. Viajamos para nos livrar das obrigações de todo dia. E para ter a obrigação de visitar dois museus e três monumentos todo dia. Viajamos para experimentar coisas diferentes, e para ter dor de barriga. Para comprar o que não precisamos e pagar com o que não temos. Para entrar em igreja e andar de metrô. Para não entender os outdoors, para desobedecer alto-falantes e para nos equivocar com cardápios. Para gentilmente pedir a desconhecidos que tirem fotos que depois vamos obrigar os conhecidos a ver. Para investigar se os McDonald’s que lá gorjeiam não gorjeiam como cá. Para fazer extensos tratados sociológicos sobre povos estranhos já no primeiro dia de estada. Para na volta ter quilos de histórias para contar e toneladas de quilos para perder.

Nada é tão motivador como a possibilidade de viajar. Na expectativa de uma viagem, pedidos de demissão são engavetados, casamentos são prorrogados, filhos são adiados. Em casos mais extremos, casas próprias deixam de ser compradas, carros escapam de ser trocados, videocassetes se conformam com menos cabeças que o do vizinho. Tanto sacrifício tem uma recompensa garantida: pouco a pouco você vai se tornando um sujeito “viajado”. E não existe nenhum adjetivo mais charmoso, nenhuma qualidade tão sem contra-indicações quanto ser “viajado”. Ser viajado é mais simpático do que ser “culto”, mais interessante do que ser “inteligente” — e quase tão bacana quanto ser “rico”.

Mas ninguém viaja por interesse. Até porque, depois do sexo, viajar é a diversão interativa mais antiga de que se tem notícia. Além de serem as duas coisas mais prazerosas da vida — e funcionarem esplendidamente em conjunto — sexo e viagem compartilham inúmeras outras semelhanças.

Não importa o que digam os interneteiros, o certo é que ambos só se realizam plenamente ao vivo. Um costuma durar pelo menos 30 minutos, a outra pode durar até 30 dias, mas a sensação é que tudo passa depressa demais, não foi? É bom quando é inesperado, tem seu valor quando é rapidinho, há quem goste quando não existe compromisso. Porém, assim como no sexo, nada faz tão bem a uma viagem como a combinação de três fatores:

● desejo;
● envolvimento;
● preparação.

A viagem acalentada, cortejada, paquerada (quanto mais difícil, melhor), carinhosamente pesquisada (uma espécie assim de namoro), com uma preparação dedicada e minuciosa (o equivalente das preliminares), sem dúvida dá muito mais satisfação — e uma satisfação mais duradoura — do que aquela viagem que você mal conheceu e já quer levar para o aeroporto”.

sábado, 18 de setembro de 2010

E como fica a questão da cultura nas eleições?

Munique, Alemanha – 18 de Setembro de 2010

Acompanhando, ainda que de longe, as disputas pelas eleições presidenciais no Brasil, e como membro da classe cultural brasileira, permanece em mim a seguinte questão: Quais são as propostas para o setor cultural brasileiro de cada um dos candidatos?

Pesquisando sobre o assunto, percebi que o jornalista Fernando Brant também se ateve a mesma questão. E ele, no site cultura e mercado, fez alguns questionamentos interessantes. “os candidatos não têm propostas para a cultura por que as pesquisas não apontam cultura como prioridade? Ou as pesquisas não revelam cultura como prioridade por que a mídia não cobre o assunto?”. A pergunta ainda fica no ar. Mas o fato é que não há muita preocupação dos candidatos em expor o assunto em seus planos governo.

Considerando a última pesquisa encomendada pelo Ministério da Cultura, nota-se que 95% da população nunca entrou em um museu, só 13% dos brasileiros vão ao cinema e 17% compram livros. Ou seja, a situação é grave, não é assunto para ser deixado de lado. O ministro da cultura Juca Ferreira, em entrevista ao site do MINC, afirma “Cultura deve ser tratada como necessidade básica, é um direito do brasileiro. E o Estado deve suprir essa necessidade”.

Pesquisando nos sites dos três principais candidatos, vejamos o que podemos esperar para os próximos quatro anos:

Dilma Rousseff

No site da candidata existe um espaço para discussão de propostas culturais, mas o mesmo encontra-se vazio, sem conteúdo. Existem algumas matérias relacionadas a inaugurações, eventos de lançamento de projetos e programas governamentais, mas nada de propostas concretas. Para encontrar algum material, é necessário assistir seus vídeos. Em entrevista, Dilma afirma que o orçamento da cultura já chegou a R$ 2,2 bilhões, e defende o projeto que revoga a Lei Rouanet. Sem muita criatividade, ela bate na tecla de projetos criados no governo passado, mas ainda não implementados, como o “Vale Cultura” e o “Cinema perto de você”. Ela fala ainda sobre a criação de um fundo social para o setor no projeto de regulamentação do pré-sal e defende a melhor divisão de recursos entre os Estados e mais parcerias com a iniciativa privada para financiar bens culturais.

Marina Silva

A candidata do Partido Verde, expõe no site sua proposta para gestão cultural, integrando as políticas culturais com as da educação. Foca na continuidade da descentralização das políticas, ações e investimentos e promete levantar o PIB real deste setor. Ela propõe que os investimentos na cultura cheguem a dois bilhões anuais (o dobro do valor atual) por meio da criação de um Fundo Nacional de Cultura. Propõe maior acesso aos bens culturais por meio da tecnologia digital e uma reforma na Lei de Direitos Autorais. Reforça ainda a cultura popular, as minorias étnicas tais como comunidades indígenas, afro descendentes, e os deficientes físicos e idosos, combatendo a discriminação e reforçando os direitos culturais.

“A política cultural no Brasil deve abranger o conjunto múltiplo das formas de pensamento, sensibilidade e expressão dos vários segmentos da população. Para isso, precisa estar articulada com a educação, integrada com o desenvolvimento sustentável, com foco na incorporação dos aspectos ligados à proteção e promoção da diversidade das expressões culturais, nas áreas urbanas e nos diferentes ecossistemas. É preciso democratizar os meios de produzir, circular e acessar os objetos culturais”.

José Serra

O candidato, assim como Marina, possuía um espaço no site dedicado exclusivamente ao tema. Mas, diante das pesquisas eleitorais, realizou uma reforma na página virtual, focando na auto-promoção e deixando as propostas escondidas. Segundo entrevistas e discursos em debates, a abordagem de Serra em relação à cultura, reforça o pensamento neoliberal, enxergando cultura apenas como ativo econômico. Despreparado, o candidato afirma em encontro com artistas no Rio, que não conhece muito sobre a situação da cultura, que precisa estudar mais sobre o setor. Em suas propostas, fala superficialmente de suas realizações, como a Virada Cultural, visando a expanção o evento para outras cidades do país. Cita o programa de fomento à dança, diz que pretende ampliar as fábricas de cultura nas periferias das grandes cidades e diversificar o financiamento.

Serra afirma ainda que a decisão dos projetos culturais não deve ser tomada apenas pelo governo, mas também pelo setor privado. “Acho que as decisões devem ser divididas entre artistas, governo e empresários", afirmou o tucano.

 

Dá pra chorar? Enquanto Educação e Cultura não forem prioridade, o nosso país vai continuar seguindo no caminho da acomodação, conformismo e alienação de sempre.

domingo, 18 de julho de 2010

Onde o povo está

“Os sentidos. O teatro de rua é cara a cara. Olhamos para o nosso publico que tambem nos olha. Cheiramos nosso publico que tambem nos cheira. Tocamos nosso publico que tambem nos toca. Ouvimos nosso publico que tambem nos ouve. Dividimos comidas, bebidas e trocamos abraços sorrisos e beijos. Transformando uma simples tarde em um dia inesquecivel”.

 Harley Nóbrega

Uma grande praça, vinte grupos teatrais, dezessete países e artes performáticas. A 23a edição do Festival Internacional de Teatro de Rua em Cracóvia, Polônia, encantou os turistas e locais entre os dias 8 e 11 de Julho de 2010.

Produzido pelo grupo teatral KTO, o Festival esse ano teve o tema “Teatro-espaço: a cidade”. Isso porque as apresentações não deveriam se prender ao espaço central da cidade, mas também explorar os arredores e espaços alternativos como o muro da prefeitura e a Krzysztofory Gallery . Além disso, o Festival contou com mais uma novidade, cruzou as fronteiras de Cracóvia e também prestigiou a cidade de Nowy Sacz, a 100 km ao sul.

Foram convidados dezesseis grupos estrangeiros da Holanda, Romenia, Iran, França, Espanha e Grã Betanha e quatro grupos Poloneses. 

O público participou ativamente das aprensentações, superando as expectativas dos organizadores, de 60 mil espectadores.

Entre as performances, vale destacar o espetáculo “Pop up” do grupo holandês Slagman Producties. Os dois atores conseguiram manter grande interação com o público apenas usando uma caixa de madeira e um quadro de giz. A excelente atuação de ambos fez com que o quadro e o caixote transformassem e re-transformassem o cenário e a cena a todo momento: a princesa e o príncipe, o rei e o bobo da corte, o ladrão e o policial, entre outros.

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Quadro de giz como cenário, criatividade que prendeu a atenção do público.

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O idioma inglês não inibiu a participação do público.

Outro grupo de destaque foi o grupo Romeno The Masca Theatre, com o musical The Merry Guards' Return, onde varios “hits” internacionais eram apresentados de forma cômica e representando diversas nacionalidades. Todos os atores cantam ao vivo e dançam numa performance repleta de efeitos visuais.

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Hit “La paloma blanca”, representada em espanhol.

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“Banana Boat Song”, cantada em inglês.

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O público prestigiando o Festival. 

O fechamento do Festival também foi digno de reconhecimento. O grupo francês Transe Express apresentou o espetáculo Mobile Homme, onde os performers ficavam pendurados numa estrutura metálica que simula um  móbile, tocando tambores, enquanto uma artista circense fazia estripulias no ar. A estrutura, presa num guindaste, circulava toda a praça central, num efeito de som e luzes inesquecível. Como os antigos tempos de FIT em Belo Horizonte (eles estiveram em BH em 2007).

Confira: